domingo, 4 de outubro de 2009

Lições da Parábola do Bom Samaritano

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A parábola do Bom Samaritano está em Lucas 10: 25 a 37. Abra a sua Bíblia e leia.

Quero lembrar que para estudar uma parábola, temos que considerar: o público alvo, que neste caso está descrito no verso 25 (o intérprete da lei); o contexto histórico, descrito nos versos 25 a 28; e que a verdade essencial pregada por Jesus é uma só, na parábola. Este texto visa compreender o tema central da parábola proferida pelo Mestre.

Durante o ministério terrestre de Jesus, os fariseus, líderes religiosos dos judeus, viviam procurando motivos pelos quais acusar e condenar o Salvador. Acusavam Jesus de desconsiderar a importância de observar a lei de Deus. Eles eram extremamente legalistas e esse legalismo os cegava contra o amor e os enchia de preconceito e exclusivismo.

“Passavam a vida numa série de cerimônias para se purificarem. O contato com a multidão ignorante e descuidada, ensinavam eles, ocasionava contaminação. E remover esta exigiria esforço enfadonho. Deveriam considerar os ‘imundos’ seu próximo?” O Desejado de Todas as Nações, p. 351

E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? Lucas 10:25 a 29

Observe que essa pergunta, “quem é o meu próximo”, foi feita como uma justificativa. É como se o homem dissesse: ‘, e eu já não tenho feito isso, amar o meu próximo? Ou você quer me dizer que eu deva considerar que outras pessoas, além dos judeus, sejam meus próximos?’ Entre os judeus, essa questão suscitava disputas intermináveis. Eles não tinham dúvidas de que os gentios (não judeus) e os samaritanos NÃO ERAM seus próximos. Gentios e samaritanos eram estrangeiros, eram não judeus, inimigos, portanto.

Para responder à pergunta, Jesus contou a bela parábola do bom samaritano. Na verdade, o livro O Desejado de Todas as Nações dá a entender que a história era verídica e de fato havia acontecido algum tempo atrás, envolvendo pessoas que ali estavam presentes [e eu acredito nisso], mas Jesus preferiu contar como uma parábola.

Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Lucas 10: 30 a 32

O viajante, provavelmente um judeu, fazia a viagem de Jerusalém para Jericó. Veja o mapa abaixo:

Procure as cidades de Jerusalém e de Jericó. Jericó ficava a 30 km de Jerusalém, mas você pode observar no mapa que Jerusalém ficava no planalto e Jericó ficava abaixo do nível do mar. Jerusalém ficava 800 metros acima do nível do mar e Jericó, 400 metros abaixo do nível do mar. Eram 1200 metros de descida, portanto, para um viajante que saía de Jerusalém e se dirigia a Jericó. Imagine um percurso de 30 km, a pé ou em um jumento, talvez, numa descida de 1200 m. Esse era o trajeto feito pelo homem. Aquela era uma estrada muito acidentada, cheia de despenhadeiros, curvas, passagens estreitas. Isso facilitava o ataque de bandidos, o que tornava a estrada muito perigosa e todos os que passavam por lá sabiam disso. Imagino que a maioria das pessoas somente se atreviam a fazer uma viagem assim se estivessem em grupo, por segurança. Se aquele homem estava viajando sozinho, possivelmente tinha extrema necessidade de fazer isso. Indefeso, foi assaltado por um bando de salteadores.

O relato diz que o homem ficou semimorto. Caído no chão, desacordado, sangrando, devia estar sem roupas também, pois os assaltantes devem ter aproveitado para levar todos os seus pertences, inclusive as roupas. Era como uma pessoa morta, portanto. Aparentava estar morto.

Continuando, o relato da parábola de Jesus diz que dois homens passaram no local: primeiro um sacerdote e depois um levita. Ambos passaram “de largo”, passaram longe, evitaram até mesmo passar por perto do homem caído, como morto, no chão. Por que aqueles homens não socorreram o pobre sofredor? Eles eram líderes religiosos, deveriam ter compaixão pelas pessoas e observar as leis de Deus. Eram tão legalistas! Por que deixaram de prestar socorro a um ser humano naquelas condições, desfalecido?

Você ficaria muito admirado se eu afirmasse que eles estavam observando a lei? É absurdo? Observe as passagens bíblicas abaixo:

Números 19:11: Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias.

Levítico 21: 1 a 4: Depois disse o SENHOR a Moisés: Fala aos sacerdotes, filhos de Arão, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre o seu povo, salvo por seu parente mais chegado: por sua mãe, e por seu pai, e por seu filho, e por sua filha, e por seu irmão. E por sua irmã virgem, chegada a ele, que ainda não teve marido; por ela também se contaminará. Ele sendo principal entre o seu povo, não se contaminará, pois que se profanaria.

Não foi à toa que Jesus incluiu um sacerdote e um levita na história. Sempre que Jesus contava parábolas, o seu objetivo era ensinar uma lição importante às pessoas que o ouviam. Por isso eu sempre uso, no título, a expressão ‘lições da parábola tal’. Todas as parábolas de Jesus contêm lições de grande valor e de muita sabedoria. Os líderes religiosos, naquele tempo, estavam tão ligados à observância da lei formal, escrita, registrada, que deixavam de prestar atenção ao espírito de amor pregado por Deus, o Deus que escreveu a lei. Veja o que diz Miquéias 6: 8: Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a e andes humildemente com o teu Deus?

Jesus chamou a atenção para o que realmente é o objetivo da lei de Deus. As leis cerimoniais eram boas e foram estabelecidas por Deus. Ocorre que acima do cerimonialismo está o amor, como tudo em Deus, como está declarado em I Coríntios 13. Veja como ele continuou a parábola.

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; e, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.

Lucas 10: 33 a 35

O samaritano atou as feridas do homem (na Nova Versão Internacional, enfaixou-lhe as feridas); aplicou vinho e óleo (remédio); colocou-o sobre o seu próprio animal; levou-o para a hospedaria; tratou dele; pagou ao hospedeiro; recomendou aos seus cuidados o homem; garantiu o pagamento de todas as despesas.

Os judeus não aceitavam os samaritanos como servos de Deus. Observe novamente o mapa acima. Veja a cidade de Samaria, mais ao norte de Jerusalém. Jerusalém era a capital de Judá (ou Judéia) e Samaria era a capital de Israel (reino do norte). No passado, os dois países tinham sido uma só nação, mas foi dividida. Os samaritanos foram chamados para servir ao Senhor (veja II Reis 17: 24 a 41), mas preferiram mesclar com o paganismo: “De maneira que temiam o Senhor e, ao mesmo tempo, serviam aos seus próprios deuses, segundo o costume das nações dentre as quais tinham sido transportados”. II Reis 17:33

Os judeus não consideravam os samaritanos como iguais. Os samaritanos, de fato, não estavam corretos no seu proceder, mesclando a adoração a Deus com a adoração aos deuses pagãos. Mas isso os tornava indignos de atos de misericórdia? Claro que não! Essa era a lição que Jesus estava tentando transmitir aos fariseus ali presentes – os sacerdotes e levitas.

No livro Parábolas de Jesus, Ellen White escreveu: “Tanto o sacerdote como o levita professavam piedade, mas o samaritano mostrou que era verdadeiramente convertido”. A tarefa de salvar o homem que havia sido assaltado e ficara como morto, no caminho, era difícil, mas o samaritano foi o único que aceitou realizá-la.

Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Lucas 10: 36 e 37.

Qual dos três era o próximo daquele homem sofredor? O sacerdote? O levita? O samaritano? Qual foi a resposta do intérprete da lei? O que usou de misericórdia para com ele. No livro O Desejado de Todas as Nações, a autora comenta que o doutor da lei não quis pronunciar o nome samaritano para fazer tal elogio. Jesus percebeu isso.

Quantas vezes nós, cristãos do século XXI, temos agido como o intérprete da lei, evitando reconhecer as virtudes daqueles que não consideramos como irmãos? Quantas vezes temos agido como o sacerdote, como o levita, agairrados a formalismos, a tradicionalismos, ignorando a lei do amor, de Deus? Nós somos iguais a eles quando colocamos o EU em primeiro lugar. Quando as tradições, as normas de igreja só interessam para satisfazer o ego. Quando as normas de cerimonialismo são mais importantes que a grande lei do amor de Deus. Quando não reconhecemos que todos os seres humanos, filhos de Deus, são o nosso próximo (o homem, a mulher, a criança, o idoso, o jovem, o magro, o gordo, o alto, o baixo, o bonito, o feio, o rico, o pobre...).

O meu próximo não tem que ser alguém igual a mim: da mesma religião, do mesmo grupo de amigos, da mesma cidade, da mesma nacionalidade etc. O meu próximo é toda e qualquer pessoa neste mundo.

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mateus 28: 19 e 20. Esta é a grande comissão evangélica. Somos todos chamados a convidar todas as pessoas, todas mesmo, a conhecer o amor de Deus e o dom da Salvação em Cristo Jesus. No verso 37 de Lucas 10, encerrando a lição, Jesus faz o chamado, que se dirige igualmente a nós: Vai, e faze da mesma maneira. Devemos proceder como o Bom Samaritano, mostrar amor para com os necessitados. Assim, testemunharemos a observância aos mandamentos de Deus.

As pessoas envolvidas na parábola do Bom Samaritano foram: o homem assaltado, os salteadores, o sacerdote, o levita, o samaritano, o hospedeiro. Qual dessas queremos imitar? Qual dessas pessoas nós queremos ser?

O Bom Samaritano das nossas vidas é Cristo. Ele nos encontrou como mortos, caídos pela ação do pecado, porque fomos atacados por Satanás (os salteadores), mas ele nos cuida, nos salva e nos tira da condição de semimortos e garante o pagamento, com o seu sangue na cruz, conduzindo-nos ao Pai (o hospedeiro), dizendo: receba esta pessoa, aceite-a bem, pois eu garanto o pagamento de todas as despesas, eu pago o preço para que ela seja curada e transformada.

Deus abençoe a todos.


Sugestão:

Leia o capítulo intitulado “O Bom Samaritano”, no livro O Desejado de Todas as Nações,

e o capítulo intitulado “A Verdadeira Riqueza”, no livro Parábolas de Jesus.

http://examinaisasescrituras.blogspot.com/

Um comentário:

Pr. Henrique S. Silva disse...

A paz amados!

Só viveremos o verdadeiro amor de Deus quando reconhecermos que o nosso próximo não são aquelas pessoas que achamos que são dignas de nossa misericórdia, mas todos, independentemente de classe, cor, ou religião.