sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Temperatura sobe a 400ºC em região da Jordânia

Fenômeno ocorreu na terça-feira (6/10/09) na província de Balqa. Animais 'foram completamente queimados e desapareceram.'

As autoridades jordanianas investigam a partir desta quarta-feira (7) o que motivou um repentino aumento da temperatura até 400ºC em um local próximo a Amã, informaram fontes oficiais.

O fenômeno ocorreu nesta terça-feira em uma área de quase dois mil metros quadrados na província de Balqa, 15 quilômetros ao oeste de Amã, segundo o governador dessa província, Abdul Khalil Sleimat.

"O fenômeno foi descoberto por acaso quando ovelhas entraram no terreno enquanto estavam pastando", disse o governador.

Sleimat contou que, de acordo com os pastores que cuidavam das ovelhas, os animais "foram completamente queimados e desapareceram".

As autoridades isolaram a área e retiraram os moradores do local, acrescentou o governador.

O Governo jordaniano deixou a investigação do fenômeno a cargo de um painel formado por diversos departamentos e instituições acadêmicas.

O chefe da associação jordaniana de geólogos, Bahjat Adwan, descartou a presença de qualquer atividade sísmica ou vulcânica na área.

O diretor do Conselho de Recursos Naturais da Jordânia, Maher Hijazin, informou que certos materiais orgânicos podem ter se juntado e reagido sob a superfície, gerando o inusitado aumento de temperatura.

Hijazin também destacou que há uma rede de água e esgoto que lança seus resíduos na região.

Fonte: G1

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vigor Intelectual

"Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se." (Daniel 1:8)

O intelecto humano precisa expandir-se, e adquirir vigor, perspicácia e atividade. Deve-se obrigá-lo a fazer trabalho árduo, pois do contrário se tornará fraco e ineficiente. É necessário energia cerebral para pensar com mais afinco; deve-se exigir do cérebro o máximo a fim de resolver e dominar problemas difíceis, se não haverá um decréscimo de vigor mental e da capacidade de pensar. A mente deve criar, trabalhar e esforçar-se a fim de dar solidez e vigor ao intelecto; e se os órgãos físicos não são mantidos nas melhores condições por meio de alimentos substanciosos e nutritivos, o cérebro não recebe a nutrição que lhe corresponde para poder trabalhar. [...]

O intelecto deve manter-se desperto com trabalho novo, diligente e ardoroso. Como isso deve ser feito? O poder do Espírito Santo deve purificar os pensamentos e limpar a mente de sua contaminação moral. Os hábitos corruptores não só envilecem a mente, mas degradam o intelecto.
Quando os professores e os estudantes consagrarem a Deus alma, corpo e espírito e purificarem seus pensamentos pela obediência às leis de Deus, receberão continuamente nova dotação de força física e mental. Então haverá ardentes anelos de Deus e fervorosas orações para discernir com clareza. [...]
O estudo diligente é essencial, bem como o árduo trabalho diligente. [...] Um espírito bem-equilibrado não é obtido, em geral, pelo devotamento das faculdades físicas às diversões. O trabalho físico associado ao esforço mental com o fim de ser útil, é uma disciplina na vida prática, dulcificada continuamente pela lembrança de que está habilitando e educando a mente e o corpo para executar melhor a obra que é desígnio de Deus que os homens realizem em diversos setores. [...] A mente assim educada a desfrutar o esforço físico na vida prática se expande, e, mediante a cultura e o preparo, torna-se bem disciplinada e ricamente provida para prestar serviço, adquirindo além disso o conhecimento essencial para ser um auxílio e bênção aos próprios jovens e aos outros (FEC, p. 226-229).


terça-feira, 6 de outubro de 2009

O dom de línguas na igreja de Corinto


O dom de línguas é um dom do Espírito Santo, e isso é uma verdade bíblica inquestionável (1 Cor 12:7-11; Atos 2:4 e 33, dentre outros) mas qual a sua natureza e a forma genuína de sua manifestação?



Essa pergunta teria uma resposta clara e definitiva se considerássemos apenas a presença, natureza e manifestação desse dom no livro de Atos. Cheios do Espírito Santo e movidos pelo mesmo Espírito os discípulos falaram em outras línguas (atos 2:4) e a multidão foi tomada de perplexidade quando ouviram os discípulos de Jesus anunciando as grandezas de Deus em suas próprias línguas maternas (Atos 2:6-12).
A natureza das línguas faladas pelos apóstolos conforme relatado em Atos 2 foi a de línguas inteligíveis e isso é um fato indiscutível entre os estudiosos sérios da Palavra de Deus e entre todos que respeitam o registro Sagrado como inspirado e fidedigno, devendo ser respeitado como a verdade (Jo 17:17).
Mas o dom de línguas em 1 Coríntios 14 não é tão claro quanto em Atos e existem muitas posições diferentes e divergentes sobre o contexto histórico desse texto específico, a natureza do dom manifesto em Corinto e se sua manifestação era produzida genuinamente pelo Espírito Santo, ou se seria uma contrafação satânica a qual Paulo teria se oposto, e inda há a questão de se a manifestação moderna do dom de línguas conforme se vê nas igrejas carismáticas e pentecostais hoje seria um equivalente da experiência da igreja de Corinto.
O contexto histórico de 1 Coríntios
Ninguém duvida do fato de que a Palavra de Deus revela que a igreja de Corinto era problemática. Sem pretender dar uma lista completa de seus problemas, sabemos que a igreja de Corinto foi chamada por Paulo de carnal (3:1), uma igreja onde existia inveja, divisão e soberba (4:6-8 e 18-19), e imoralidade (5:1). Essa “pequena” amostra de problemas enfrentados nessa igreja demonstra a dificuldade dessas pessoas em Corinto em serem cristãos que vivessem à altura do chamado de Deus para eles. Ainda assim, apesar dessa situação, a igreja de Corinto não é vista como uma igreja de pessoas imorais e perdidas definitivamente, eles são chamados de santificados e chamados para ser santos (1:2), objetos da graça e da paz de Deus invocando o nome do Senhor Jesus Cristo(1:3), e uma igreja rica da palavra de Deus e do conhecimento e na qual não falta nenhum dom (do Espírito) enquanto esperam a manifestação (o retorno) do Senhor (1:4-7).
Essa situação, já no início da história da igreja cristã, nos leva a encarar com grande seriedade a parábola de Jesus em Mateus 13:18-43. O joio e o trigo estariam juntos até os momentos finais da história da igreja (Mt 13:29).
Esse é o contexto da epístola em geral, mas reconstruir o contexto histórico dos capítulos 12-14 é uma tarefa muito mais ingrata. A grande quantidade de opiniões divergentes e o fato de que muitas delas (a maioria) é fruto de fantasiosa especulação pessoal de estudiosos do texto e não de verdades históricas, e essa realidade torna a reconstrução do contexto histórico do texto discutido aqui uma tarefa amarga.
Seria o dom de línguas manifesto em Corinto, listado entre os dons do Espírito Santo (1 Cor 12:7-11/28-30), um dom semelhante ou diferente do dom manifesto em Atos?
Anthony Hoekema diz: “Os comentaristas estão muito divididos nesta questão; ainda que a maioria reconheça que as línguas do dia de Pentecostes eram idiomas estrangeiros, alguns sustentam que as línguas em Corinto eram expressões extáticas diferentes dos idiomas ordinários. Parece difícil, se não impossível, emitir um juízo definitivo neste assunto.”.

Hoekema está certíssimo quando diz que a maioria dos comentaristas do texto bíblico reconhece a verdade bíblica sobre o que aconteceu em Atos, especialmente no Pentecostes.

Já foi demonstrado biblicamente nesse texto que nessa ocasião os discípulos falaram línguas inteligíveis e conhecidas no mundo e não línguas extáticas e ininteligíveis (incompreensíveis aos homens) semelhantes às “línguas” que se manifestam entre os carismáticos e pentecostais em nossos dias.

Porém, o dom de línguas em Corinto parece ter características diferentes das que vemos em Atos e vamos analisar essa situação a partir de agora.
A natureza das línguas em 1 Coríntios

No início do capítulo 12, Paulo revela sua preocupação de que a igreja em Corinto não fosse ignorante no assunto dos dons espirituais. Isso indica que possivelmente já havia alguma confusão em torno do assunto entre os membros da igreja e Paulo agora passa a esclarecer a questão.

O apóstolo passa a lembrar aos coríntios sua experiência passada na idolatria (12:2) e coloca a primeira distinção espiritual na questão dos dons: O Espírito de Deus age no sentido de exaltar o senhorio de Jesus Cristo (12:3). A partir do verso quatro Paulo deixa claro que o Espírito Santo é um, e que é Deus quem opera tudo em todos os seus filhos, e isso com um fim proveitoso (12:7).

Apesar de o Espírito ser um seus dons são diversos:
A palavra da sabedoria, a palavra do conhecimento, a fé, o dom de curar, a operação de milagres, o discernimento dos espíritos, a variedade de línguas e a capacidade de interpretar as línguas (12:8-10).

Mas Paulo enfatiza que o mesmo Espírito, o Espírito Santo é quem realiza todas essas coisas e é Ele quem distribui individualmente cada dom, sempre com um objetivo útil. O comentário bíblico adventista (SDABC), referindo-se a esse texto (1 Cor 12:11) diz que “o Senhor controla a operação dos dons e é correto concluir que esses dons devem estar em harmonia com o plano supremo da terminação da obra de Deus na terra”.

A utilidade do dom de línguas no Pentecostes foi vasta:

Explicitamente o texto bíblico revela que o dom de línguas (inteligíveis) foi dada aos discípulos para que eles:

(1) anunciassem as grandezas de Deus nas línguas das nações dos presentes naquela circunstância em Jerusalém (Atos 2:6-12); (2) anunciassem a glorificação e exaltação de Jesus à destra do Pai (Atos 2:33); e (3) para que os pecadores ali fossem convidados a responder ao evangelho e a serem batizados para que tivessem seus pecados perdoados e recebessem eles mesmo, o dom do Espírito (Atos 2:37-38) para a salvação.

Implicitamente o texto bíblico deixa a entender que o dom de línguas foi dado também para: (1) capacitar os discípulos a pregarem o evangelho provavelmente nas regiões às quais eles iriam trabalhar posteriormente. E (2) para que as pessoas reconhecessem a presença de Deus no meio de sua igreja com poder.

A utilidade do dom de línguas em 1 Coríntios traz uma “novidade”.

Certamente os objetivos do dom de línguas segundo o padrão visto no pentecostes continuariam a ser reais e válidos, porém em 1 Coríntios Paulo acrescenta uma utilidade estranha à manifestação do dom de línguas em Atos e essa utilidade é: a de edificar a si mesmo (1 Cor 14:4). O SDABC comenta o seguinte sobre esse texto (“o que fala em outra língua a si mesmo se edifica...”). “Este dom, portanto, cumpria uma função útil e tinha seu lugar”. A posição da IASD nesse ponto é interessante, Ela não nega essa “novidade” na função do dom de línguas quanto comparado ao que aconteceu no livro de atos, pelo contrário, a igreja crê que esse dom de falar em outra língua revelado em 14:2-4 foi útil e tinha seu lugar na igreja. Esse é o ensino do Novo Testamento.

O comentário bíblico adventista acrescenta que, numa circunstância onde a presença da Palavra escrita de Deus não era abundante, é possível que fosse necessário que Deus concedesse “revelações pessoais da verdade divina” aos membros da igreja de Corinto para fortalecê-los e os edificar na verdade. Fica implícito nesse comentário do SDABC que esse dom de “línguas”, genuíno ainda que manifesto de forma diferente do visto em Atos, poderia cumprir essa função.

Essa situação comprova que nenhum dom necessário para a salvação e para a capacitação para a missão faltava aos coríntios (1 cor 1:7), porém a partir do verso cinco do capítulo 12 Paulo começa a esboçar uma correção na visão e prática espiritual dessa igreja abençoada ao mesmo tempo que problemática.

O apóstolo usa vários versos em 1 Cr 12:5-31 para demonstrar que a unidade do corpo de Cristo implica em diversidade de dons (12:27-30) como um corpo é formado por vários membros diferentes.

Ele diz também que a todos os membros batizados foi dado beber do mesmo Espírito (1 Cor 12:13) ainda que não manifestem os mesmos dons (12:29-30), provando que a idéia de que todos os batizados só recebem o Batismo no Espírito Santo depois do batismo das águas (após a conversão) e que como evidência disso devem manifestar o dom de línguas, segundo ensinam os pentecostais, é totalmente falsa e não bíblica.

O capítulo 13 da primeira carta aos coríntios demonstra qual é o dom supremo, e certamente esse não é o dom de línguas. Paulo chega a dizer que ainda que um ser humano recebesse a capacidade de falar a própria língua dos anjos isso não seria um sinal de que ele seria “batizado no Espírito Santo”. Sem o amor a única coisa que o dom de línguas significa é a capacidade de fazer barulho por parte de quem fala, não se importando se essas línguas sejam: línguas inteligíveis (nações), ininteligíveis (extáticas) ou angélicas e celestiais.

É importante dizer, entretanto, que ao citar a língua dos anjos Paulo não está declarando que algum ser humano já tenha recebido ou possa receber esse dom de forma literal, mas está dizendo que mesmo que isso acontecesse tal ser humano não seria superior a um sino barulhento de cobre se não tivesse o amor: o supremo dom do Espírito Santo e que revela a própria essência de Deus (1 João 4:8).

No capítulo 14 Paulo exorta a igreja a que seguisse o amor e procurasse com zelo os dons espirituais, principalmente o dom de profetizar (1 Cor 14:1). O servo de Deus revela que seu desejo (1 Cor 14:5) era de que todos falassem em línguas, mas lembra que o que profetiza é superior ao que fala em línguas pois edifica a igreja (todo o corpo de crentes) em contraste com quem só edifica a si mesmo (1 Cor 14:4).

Muitas tentativas de se entender a natureza do dom manifesto em Corinto tem sido de feitas e muitas conclusões têm sido apresentadas.

Alguns dizem que apesar da diferença na “forma da manifestação” do dom de línguas em atos e em corinto, o dom era o mesmo e as línguas em ambos os casos eram inteligíveis e conhecidas em algum lugar do mundo (ainda que desconhecido ao que falava no caso de Corinto). Nessa interpretação o dom manifesto em Corinto deve ser interpretado à luz do livro de Atos. Essa posição tenta resolver o impasse criado pela diferença existente entre os dons, mas acaba ignorando verdades bíblicas a respeito dessa diferença.

A mais contundente prova de que a posição que ensina que o dom em Corinto deve ser entendido com base no que aconteceu em atos é falsa é que quando o dom foi concedido no pentecostes, não havia necessidade de intérpretes ao que recebia o dom e falava numa língua estrangeira. O mesmo não ocorre em 1 Coríntios onde a pessoa que recebe o dom deveria orar para o poder interpretar (1 cor 14:13). Voltarei a discutir esse texto em breve.

Outra tentativa de se resolver o problema das “línguas” em 1 Cor é fazer uma diferença entre o significado dos termos originais do grego. Essa diferença na tradução em português não é tão clara, mas pode-se fazer uma diferença entre língua (referindo-se a uma língua extática, sobrenatural e ininteligível), e línguas (referindo-se às línguas das nações faladas e entendidas pelos homens). Essa diferenciação pode não estar equivocada ainda que às vezes possa ser usada para mal interpretar o ensino da Bíblia.

Paulo inspirado pelo Espírito Santo declara que o dom de falar outra língua (extática segundo essa interpretação) edifica ao que fala (1 cor 14:4) e não é possível ser fiel à Palavra de Deus ao se dizer que Paulo era a favor do dom de línguas(inteligíveis) mas contra o dom de se falar outra língua (ininteligíveis) se admitirmos essa diferenciação entre “dom de línguas” (inteligíveis) e “dom de falar em outra língua” (ininteligível).

Colocar Paulo a favor de um dom e contra o outro é distorcer o significado básico do texto bíblico. Não é esse o ensinamento do apóstolo dos gentios chamado por Deus para pregar o evangelho (1 Cor 14:2-4/ 13-17/ 27-28).

Voltando ao texto mencionado anteriormente (1 cor 14:13), em certo momento de sua exortação aos coríntios Paulo diz que aquele que ora em outra língua deve orar para que a possa interpretar indicando que a própria pessoa que recebia o dom continuava em ignorância quanto ao conteúdo e significado da mesma. Anthony Hoekema diz que: “É evidente que as línguas que se falavam em Corinto não podiam ser compreendidas... se não fossem interpretadas”. O texto indica que nem os ouvintes nem o portador do dom conseguiam entender o significado da língua sem a interpretação.

Alguns tentam dizer que Paulo estava aqui sendo irônico (1 Cor 14:13) para com pessoas que estavam manifestando um falso e espúrio dom de línguas em Corinto exortando-os desafiadoramente (como Elias desafiou os profetas de Baal) a buscar interpretação para aquele monte de palavras sem sentido, mas essa posição é totalmente contrária e estranha ao texto bíblico e distorce seu claro significado.

Paulo diz que, além de orar para interpretar a língua desconhecida (14:13), deve-se entender que nessa situação o “espírito” humano ora de fato! apesar de sua mente ficar infrutífera (14:14). Paulo diz também que o crente dotado deste dom fala a Deus e não aos homens (1 cor 14:2).

Paulo diz ao que recebe esse dom que ele deve orar sim com o espírito (sinônimo de falar em outra língua, interpretada em oração ou com o recebimento do dom de interpretar “as línguas” 1Cor 14:13 e 12:10), mas também orar com a mente (1 cor 14:15).

Paulo está dizendo que o relacionamento com Deus não pode ser levado adiante somente em êxtase (SDABC diz: (orar com o espírito) semelhante a um profeta em visão) ou em experiências sobrenaturais (nas quais a mente fica infrutífera), mas também em um relacionamento normal de comunhão consciente e natural (14:15).

No verso 17 Paulo afirma que quem ora a Deus em outra língua ora bem! e apenas lembra àquele que tem esse dom de que as pessoas ao seu redor não são edificadas com sua prática, e que ele deve ser restringido e controlado no culto público (1 cor 14:27-28).

Apesar de não negar a existência ou a importância do dom de fala “outra língua”, Paulo revela que sua manifestação deve seguir critérios que visem a edificação da igreja (14:12), a utilidade (12:7) e a fim de evitar as possíveis más compreensões de pessoas não cristãs na igreja conforme os textos a seguir indicam (14:6-19/22-25/27-28/40).

Paulo declara que é melhor falar na igreja 5 palavras compreensíveis (inteligíveis) do que 10 mil palavras que não se possa entender (14:19).
Paulo defende claramente a inteligibilidade das línguas em sua função de edificar a igreja (14:12) e ataca como loucura o abuso e mau uso do dom de falar em outra língua (14:9). Que fique, porém claro que, o que o apóstolo ataca é o mau uso e abuso do dom e não sua genuinidade.

Paulo, em algumas de suas sugestões relativamente à situação vivida nessa igreja, dá a entender que algumas pessoas em Corinto haviam recebido o dom de línguas e achavam que esse era o dom mais importante, ou que havia certa preeminência espiritual em tê-lo e isso explica o porquê da ênfase no amor como dom supremo (1 Cor 13) e no dom de profecia como um dom mais elevado e útil do que o dom de línguas (14:1/4-5). Paulo estava corrigindo enganos e distorções correntes entre os membros da igreja.

Billy Graham disse em seu livro: o Espírito Santo, que: “o dom de línguas mencionado em 1 Coríntios 12-14 é realmente um dos dons do Espírito menos importantes – parece até mesmo ser o último de todos. A razão disto é que muitas vezes ele não traz nenhum benefício espiritual a outros crentes”.

O amor e a profecia como elementos de edificação da igreja são elevados na Palavra de Deus, mas o dom de línguas manifesto em Corinto, conquanto fosse importante num contexto de pouco acesso por parte de todos os crentes à Palavra de Deus, é o último na lista dos dons espirituais em 1 Cor 12:8-10 indicando não sua superioridade, mas inferioridade (ainda que nenhum dom do Espírito Santo seja inútil (1 Cor 12:7) ou desprezível).

A análise que Paulo faz do dom de línguas é tão diferente da dos membros da igreja em Corinto que, ainda que muitos coríntios fossem desejosos de colocá-lo em primeiro lugar, ele o põe em último lugar.
Na realidade, o que é ainda mais surpreendente é que nas outras duas listas de dons e ofícios espirituais, isto é, em Éfesios 4:11-12, e Romanos 12:6-8, Paulo não se faz a mínima menção das línguas.


O dom de línguas manifesto em Corinto era o dom manifesto hoje entre carismáticos e pentecostais?

Toda a discussão teológica no mundo cristão de hoje em torno desse tema tem como pano de fundo a alegação do movimento pentecostal e carismático de que esse dom do Espírito Santo se manifesta ente eles e que esse dom é o sinal do batismo no Espírito Santo que eles receberam.

Na tentativa de defenderem a legitimidade de seu movimento, os pentecostais apelavam fortemente para o dom de línguas manifesto no livro de Atos, em especial na ocasião de pentecostes (de onde tiram o nome de seu movimento) como prova de que eles eram sucessores do mesmo movimento que os apóstolos e restauradores do cristianismo apostólico.

Quando a posição ficou insustentável diante do fato de que o livro de Atos sem sombra de dúvidas defende um dom de línguas inteligíveis numa manifestação extraordinária e maravilhosa, eles começaram a apelar para a primeira carta aos coríntios para basear a manifestação genuína do dom de línguas em seu meio. Porém, já foi demonstrado que também nesse caso as especificações não são atendidas.

Paulo ordena que no caso de alguém falar em outra língua na igreja deve-se seguir o seguinte cronograma:

(1) Não falem em língua estranha mais do que duas ou três pessoas; (2) Elas devem falar sucessivamente e não ao mesmo tempo; (3) deve haver interpretação do que for falado; e (4) não havendo intérprete fique calado na igreja, falando com Deus (em pensamento, na consciência). (1 Cor 14:27-28). Tem sido esses conselhos inspirados seguidos nas igrejas pentecostais e carismáticas?

A Bíblia diz que muitos são os dons, mas um só é o Espírito (1 Cor 12:4) e deixa claro que nem todos falam em línguas (1 Cor 12:30). A obrigação de se falar em línguas como evidência de que a pessoa foi batizada no Espírito Santo é uma doutrina enganosa, falsa e mentirosa. Forçar a Bíblia a dizer o que ela não diz é defender uma mentira e toda mentira é obra de satanás como dia a Palavra do Senhor (Jo 8:44).

Billy Graham em seu livro já citado escreveu: “não devemos considerar o dom de línguas como o ponto alto da maturidade do cristão. Milhões de cristãos maduros nunca falaram em línguas, e muitos dos que falaram em línguas não são maduros espiritualmente.”.

As qualidade e frutos do Espírito Santo revelados em gálatas 5 são vistos na vida de muitas pessoas que nunca receberam o dom de falar línguas (nem segundo o padrão do livro de Atos nem segundo o padrão de 1 Cor 14), mas nem por isso essas pessoas não eram batizadas no Espírito Santo e também é verdade que muitas pessoas que professam ser batizadas no Espírito estão longe de manifestar os frutos que são as verdadeiras evidências dessa verdade.

Pedro Apolinário faz uma citação importante em seu livro Explicação de textos difíceis da Bíblia:
Indica a Bíblia que toda a pessoa batizada com o Espírito Santo falaria línguas? Os pentecostais declaram de maneira enfática que os cristãos que recebem o Espírito Santo precisam falar línguas.
Eis suas declarações:
"Um cristão que não foi batizado com o Espírito Santo, tendo como prova disso o falar em línguas, é um fracalhão espiritual, comparado com aquilo que poderia ser caso fosse batizado com o Espírito Santo, de acordo com Atos 2:4."
É dogma entre as igrejas pentecostais, que o batismo no Espírito Santo sempre vem acompanhado das 1ínguas. A Constituição das Assembléias de Deus afirma: "O batismo no Espírito Santo é testemunhado pelo sinal físico inicial do falar em outras línguas, segundo o Espírito de Deus lhes concede." (Pedro Apolinário).
Seria interessante que aqueles que no mundo carismático e pentecostal negam a verdade de que é possível ser batizado e cheio do espírito Santo sem falar em línguas (como aconteceu no caso de Jesus, de Estevão, e de vários outros personagens da Bíblia) pudessem explicar a passagem da Bíblia onde está escrito:

“E se alguém não tem o Espírito de Cristo este tal não é dele” (Rm 8:9).

A Palavra de Deus está dizendo que quem não tem o Espírito Santo não pertence a Jesus e nem é salvo. Agora, se temos o batismo no Espírito Santo somente falando em línguas e de outra forma não o temos, então isso indica que quem não fala em línguas não é salvo?

Essa é a implicação natural dessa compreensão da doutrina pentecostal, mesmo que eles tentem fugir dessa situação. E por que? Por que muitos membros de igrejas carismáticas e pentecostais não falam em línguas e por que a visão pentecostal e carismática implica que alguém que aceite sinceramente a Jesus como único, suficiente e soberano Senhor e Salvador, mas não fala em línguas, não tem o Espírito Santo (Rm 8:9) e por conseqüência não é salvo, e assim ensinando o movimento pentecostal está negando a Palavra de Deus! (Rm 10:9).

O Batismo no Espírito Santo

O Espírito Santo é o consolador que viria aos crentes de forma plena após a ascensão e glorificação de Cristo nas cortes celestiais (Atos 2:33 e Jo 16:7), e como Espírito de Deus estaria conosco e em nós (Jo 14:17).

As condições para se receber o Espírito Santo são simples:

Arrependimento e aceitação do batismo (atos 2:38). É importante lembrar aqui que conquanto simples essas condições devem ser levada a sério de forma profunda.

Primeiramente arrependimento é tristeza pelo pecado na própria experiência de vida e também tristeza pela presença do pecado e na experiência de vida de todos os seres humanos.

Não podemos e nem somos capazes de nos arrepender em lugar dos outros, mas ao perceber o que o pecado fez com a humanidade, tornando as criaturas de Deus, criadas a sua imagem e semelhança, em criaturas cheias de tudo que é podre e imundo (a própria essência de satanás) e que nós mesmos participamos de alguma forma dessas más inclinações e manifestações (Efésios 2:1-2), nos arrependemos sinceramente.

Em uma segunda etapa o arrependimento é um desejo de mudar de rumo e direção, do pecado (1 João 3:4) em direção ao amor (Rom 13:10). Uma mudança de 180º graus.

A aceitação do batismo como condição de recebimento do Espírito Santo é uma realidade bíblia, mas que também tem condições para se tornar efetiva e se concretizar na experiência de vida dos cristãos.

Batismo não é mágica. É o atender a um chamado de Deus de entrega, consagração e entrar numa relação de filiação espiritual (ainda que adotiva) em relação a Deus. O próprio arrependimento é uma necessidade que precede o batismo assim como a fé (Mc 16:16).

Essas características demonstram que o batismo bíblico é uma cerimônia que indica um encontro com Deus e aceitação de sua verdade e reconhecimento de seu chamado para a salvação e para o serviço fiel (Mt 28:19-20). E sempre que essas realidades forem vividas de forma consciente na alma humana, o batismo será o momento da descida do Espírito Santo sobre a pessoa como selo e penhor.

Ainda assim, isso não impede que pessoas já batizadas nas águas e no Espírito Santo sejam ungidas, enchidas, capacitadas pelo Espírito Santo em tempos posteriores para funções e missões especiais (1 Cor 12:7).

Essas experiências posteriores ao batismo nas águas não contradizem o fato de que no batismo bíblico a pessoa é também batizada no Espírito (o mais claro exemplo disso é o batismo de Jesus).

Existem experiências na Bíblia que aparentemente fogem a essa regra, mas elas são exceções e não regra e devem ser tratadas como tal, uma vez que o contexto de cada experiência deve ser analisado de forma singular e específica.

O verdadeiro sinal, ou os verdadeiros sinais de que somos batizados no Espírito Santo

A evidência da presença do Espírito Santo na vida de uma pessoa é tão vasta como sua obra! (Dr. Wilson H. Endruveit).

A obra do Espírito Santo é convencer (Jo 16:8); converter e conceder liberdade (2 Cor 3:16-17); ungir (Is 61:1); consolar (Jo 14:16); Guiar em toda a verdade (Jo 16:13); Glorificar a Jesus (Jo 16:14); produz frutos na vida dos que lhe pertencem (gálatas 5:22-25); conceder dons aos homens (1 Cor 12:4) e etc.

Esses poucos exemplos dão um bom vislumbre da maravilhosa obra do Espírito santo na vida do ser humano redimido por Cristo na cruz do calvário e santificado pelo lavar regenerador do Espírito (Tito 3:5).

A Palavra de Deus não dá nenhuma abertura para se anular todas essas e as outras revelações a respeito da obra do Espírito Santo em favor da manifestação de apenas um dom do espírito Santo (seja qual for) como evidência do Batismo no Espírito Santo.

Uma vida transformada é a maior evidência do batismo no Espírito Santo. Uma vida que outrora estava em trevas, mas que agora conhece e proclama a maravilhosa luz de Deus (1 Pe 2:9).

A presença de Deus através do batismo no Espírito Santo na vida de uma pessoa ou de uma igreja resultará em uma pessoa ou igreja que ama a lei de Deus e a colocam em prática, pois o Espírito nos iria guiar em toda a verdade (Jo 16:13) e uma das colunas da verdade na Bíblia é a Lei de Deus (Salmo 119:142). Um resultado muito diferente deste é visto no mundo pentecostal. Quando confrontados com a Lei de Deus (Êxodo 20:1-17 e Tiago 2:10) eles justificam a transgressão em vez de se permitirem moldar e guiar pelo Espírito do Senhor (João 16:13 e Romanos 8:14). E essa é a maior prova de que a obra que é levada adiante entre eles não é do Espírito de Deus, e sim de outro espírito.

Claro que estou falando isso em relação às pessoas que se dizem batizadas no Espírito Santo, mas conscientemente rejeitam a Lei de Deus e escolhem o pecado, justificando suas transgressões distorcendo a palavra de Deus e desonrando ao Senhor, mentindo contra ele.

Não estou dizendo que as pessoas que são pentecostais, mas ainda não receberam luz suficiente para perceberem o engano nas quais estão acreditando não sejam influenciadas pelo Espírito de Deus.

Conclusão

A obra do Espírito Santo é maravilhosa e quão grande privilégio é podermos estudá-la, compreendê-la e vivê-la e essa experiência está disponível hoje e agora a todos que confiarem na Palavra do Senhor e é por isso que temos visto satanás trabalhando pesadamente para evitar que as pessoas estudem, compreendam e vivam o Batismo no Espírito Santo de forma genuína e essa é a verdadeira razão por detrás de tão grande confusão e perplexidade que envolve esse tema no mundo cristão hoje.

É triste, entretanto, que com o objetivo de desmascarar a qualquer custo essa obra falsificada e espúria que visa enfraquecer o discernimento do ser humano sobre o verdadeiro dom do Espírito Santo, algumas pessoas têm tentado distorcer desnecessariamente a verdade bíblica para defender que o movimento pentecostal não cumpre os requisitos de um genuíno derramamento do Espírito Santo.

Existe a tentativa de diminuir a força da inspiração bíblica em 1 Coríntios 14:2/4/13-17/27-28. Essa tentativa é levada adiante pela interpretação de que as idéias contidas nestes textos, citados nesse parágrafo, não são idéias de Paulo e nem Palavra de Deus, porém idéias a serem rebatidas pelo apóstolo! Isso é uma inconsistência com o significado claro e natural do texto e ao colocar-se em dúvida a verdade de Deus por detrás dos conceitos expressos nesses textos, se está colocando em dúvida a própria Palavra do Senhor (Jo 17:17). É correto dizer que esses textos são os textos mais difíceis da Palavra de Deus sobre o dom de línguas, mas nem por isso eles não são Palavra de Deus.

Paulo não insinua que o “falar em outra língua a Deus e não aos homens que não o entendem” (1 Cor 14:2) seja um falso dom. A tentativa de se dizer que essa “outra língua” seria uma língua estrangeira, inteligível e existente no mundo, mas apenas desconhecida do recebedor do dom contradiz a expressão desse dom em atos, pois em atos os que receberam o dom de falar em línguas estrangeiras não precisavam orar para interpretá-las (o que indica que eles a compreendiam e falavam miraculosamente as línguas das nações) como foi o caso desse dom manifesto em Corinto (1Cor 14:13).

Admitir, porém, um dom de língua em Corinto em padrões de alguma forma diferentes do dom manifesto em Atos não é admitir a legitimidade do falso dom manifesto nas igrejas populares e carismáticas de hoje em dia como vários versos do texto bíblico deixam claro (1 Cor 14:5-11/19/22-26/33 e 40). Esse movimento moderno cai diante da revelação de Deus e nenhum texto da Bíblia precisa ser mal interpretado para que isso fique claro!

A posição adventista é a de que a Palavra de Deus é a verdade e inspirada em sua totalidade (2 Tm 3:16). E não devemos distorcer essa verdade para atacar a falsa manifestação do dom de línguas. Espero que todos compreendam a seriedade e relevância dessas breves considerações e colocações feitas aqui.

As complicações e tensões entre o dom de línguas em Atos e em Corinto devem ser mantidas de forma saudável e entendendo-se que elas não se contradizem e muito menos dão apoio a movimentos fanáticos e falsos e que já são por eles mesmos refutados e desmascarados pela Palavra do senhor.

“E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante Deus tranqüilizaremos o nosso coração” (1 João 3:19).


Fonte: Vem Senhor Jesus

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Preparando um povo


Preparando um povo

Lição 242009


Sábado à tarde

Ano Bíblico: Malaquias


VERSO PARA MEMORIZAR: “Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo lhe corra bem, assim como vai bem a sua alma” (3 João 2, NVI).

Leituras da semana: Nm 5, 6; Ez 33:15; Lc 19:8, 9; At 17:28; 1Co 6:19, 20

A menos que tenha sido um refugiado, provavelmente você não vai se identificar completamente com a situação dos filhos de Israel. Evidentemente, ao contrário de muitos refugiados hoje, os israelitas queriam deixar o Egito, e não ser expulsos. Ainda assim, deve ter sido desconcertante deixar a única terra que eles conheciam para ser errantes em um deserto hostil.

É nesse contexto que podemos entender melhor algumas das regras e regulamentos dados àquele povo, regras que os ajudariam a sobreviver no deserto. Ao mesmo tempo, embora algumas coisas tivessem terminado, depois que, finalmente, entraram na Terra Prometida (como o maná), muitos regulamentos permaneceram porque neles havia princípios que, se fossem seguidos, teriam abençoado em muito a vida em um mundo cheio de pecado e idolatria.

Nesta semana, vamos estudar algumas das providências que o Senhor instituiu para Seu povo antigo: como lidar com alguma enfermidade, como lidar com a infidelidade matrimonial (ou o medo dela), e como lidar com os conflitos pessoais que surgem inevitavelmente quando as pessoas vivem juntas.


Domingo

Ano Bíblico: Vista geral sobre o Antigo Testamento

Controle da doença

Imagine a cena do antigo Israel no deserto diante do Monte Sinai. Milhares e milhares de nômades com seu gado, a quilômetros de distância de qualquer tipo de civilização. Que tipo de instalações médicas eles tinham à disposição? Nenhuma! E, considerando como era frequentemente praticada a medicina então, eles podiam estar em melhor situação, ainda assim. Não obstante, nesse ambiente, com que facilidade poderia se espalhar uma epidemia qualquer!

1. Três classes de pessoas o Senhor ordenou que Moisés lançasse “fora do arraial”. Quais são? Nm 5:1-4

Aparentemente, qualquer pessoa com uma séria doença de pele poderia ser considerada leprosa. A verdadeira lepra (agora chamada de mal de Hansen) também estava incluída nessa classe. Qualquer séria infecção de pele era considerada um perigo para a comunidade. O mesmo também com uma hemorragia, ou fluxo de sangue, ou a manipulação de um cadáver em decomposição no calor do deserto, que podia espalhar doenças de proporções epidêmicas por todo o acampamento. Tanto os homens como as mulheres deveriam ser removidos até que, se possível, sua saúde melhorasse. O Senhor não odiava essas pessoas prejudicadas fisicamente, mas, por amor à saúde da nação, Ele as separava para uma área fora do acampamento, um tipo de quarentena. Mesmo nos tempos modernos, temos alas especiais nos hospitais para pessoas com doenças infecciosas.

2. Por que razão teológica essas pessoas prejudicadas eram removidas por um tempo do acampamento da nação? Nm 5:3, última frase. Que mensagem espiritual podemos tirar disso para nós mesmos?

Considere este assunto de uma perspectiva espiritual, a ideia de profanação, de pecado, e do que o pecado faz para nós. Qual cristão não experimentou a realidade da separação que uma pessoa tem do senso de presença de Deus? Quem não experimentou o senso de isolamento espiritual por achar-se impuro diante de Deus?

Que coisas estamos assistindo, lendo, comendo, fazendo ou até mesmo pensando que nos fazem sentir como se tivéssemos sido espiritualmente removidos do acampamento? Mais importante, qual é a única solução para esse problema? 1Jo 1:8, 9.


Segunda

Ano Bíblico: Mt 1–4

Controle social

Para nós, hoje, é difícil entender os enormes problemas que surgiam pela migração de milhares de pessoas, juntamente com os milhares de animais, bovinos e ovinos. Pense neles, apinhados no deserto em frente ao Monte Sinai. Os fisicamente incapacitados tinham sido removidos por causa da saúde da nação. Mas outro problema sério precisava ser tratado. Embora eles fossem instruídos a “amar” uns aos outros (Lv 19:18), como qualquer pessoa que vive em comunidade sabe, nem sempre isso é tão fácil. Mesmo nos melhores tempos, os conflitos sempre surgem.

3. Quando um israelita pecava contra alguém no acampamento, contra quem ele pecava, realmente? Nm 5:6; veja também Sl 51:3, 4. Como devemos entender esse conceito?

Ofender o próximo é pecar contra o próprio Deus. Em certo sentido, isso não deve ser muito difícil de entender. Todos nós pertencemos a Deus; todos somos Sua propriedade, tanto por criação como por redenção (1Co 6:19, 20; At 17:28). Se alguém danificasse sua propriedade, o pecado não seria só contra a propriedade em si, mas contra você, seu proprietário. O mesmo acontece quando pecamos contra outra pessoa; pecamos contra quem criou aquela pessoa e que, na cruz, a readquiriu com Seu próprio sangue. Não devemos nos admirar, portanto, que a Bíblia expresse essa ideia de que, ao pecar contra outros, estamos pecando contra o próprio Deus.

4. O que o culpado deveria fazer? Nm 5:6-8; veja também Ez 33:15; Lc 19:8, 9

Embora o princípio de endireitar os erros contra outras pessoas ainda se aplique hoje, como endireitamos também o erro que cometemos contra Deus, quando pecamos? O fato é que não podemos. É muito tarde para endireitar nossa relação com Deus. Evidentemente, foi por isso que Jesus veio ao mundo: para nos reconciliar com Deus, não por meio de qualquer coisa que possamos fazer, mas por meio do que Jesus fez por nós (Cl 1:20).

Tendo em mente o que Jesus fez para prover reconciliação entre você e Deus, o que você precisa fazer para se reconciliar com alguém com quem esteja em conflito?


Terça

Ano Bíblico: Mt 5–7

Fidelidade matrimonial

O Criador estabeleceu os laços matrimoniais no Éden ao criar a humanidade em dois sexos e celebrou a primeira união (Gn 1:26-28, 2:21-24). Dois preceitos do Decálogo, o sétimo e o décimo, protegem a instituição do casamento. Na teocracia, a infidelidade era punida pela morte de ambas as partes (Lv 20:10).

5. Como devemos entender as normas em Números 5:11-31?

Obviamente, o Senhor quis destacar a seriedade de toda a questão da infidelidade matrimonial, que é, sem dúvida, a maior ameaça para a estabilidade familiar.

Neste procedimento – que obviamente incluía um elemento sobrenatural – o foco estava na água. A água era santa; também era santo o piso do qual o sacerdote tomava uma pitada de pó. A água santa e pó não amargavam a água; simplesmente sublinhavam sua santidade. Os juízos ou maldições escritos que eram lavados pela água simbolizavam a amargura potencial. “Tudo dependida de ser a mulher santa (inocente) ou profana (culpada). Se a [água] santa encontrava a profana, o juízo era inevitável. Se a [água] santa encontrava a inocente, a harmonia prevalecia” (Raymond Marrom, The Message of Numbers. Liecester, Inglaterra: Imprensa Inter-Varsity, 2002. p. 46).

Esse procedimento (estranho para nós) não era um exemplo de magia. Ao contrário, era um recurso visual concreto que os ex-escravos podiam entender. Não era a água, mas o Senhor que lia o coração da esposa, que a castigava ou inocentava. Como esse procedimento servia também de proteção para a mulher, que podia ser vítima de ciúmes não comprovados do marido?

Por mais estranho que tudo isso pareça para nós, hoje, a lição que traz é a importância dos votos matrimoniais aos olhos de Deus. Só Deus sabe quanta dor, quanto sofrimento e prejuízo são provocados pela infidelidade matrimonial de qualquer dos cônjuges. Que tragédia é verificar que, em muitas sociedades, os votos matrimoniais pareçam ter tão pouca santidade quanto um aperto de mão!

Que coisas você pode fazer, que decisões pode tomar para ter coração puro?


Quarta

Ano Bíblico: Mt 8–10

Cidadãos consagrados

Deus pretendia organizar Israel no sentido mais amplo a fim de que fosse para Ele “reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19:6). Assim, para as nações distantes e próximas, o povo seria testemunha das verdades a respeito do Deus vivo e criador de todas as coisas. Porém, no Sinai, o Senhor nomeou especialmente sacerdotes e levitas para servi-Lo com relação à adoração no tabernáculo do santuário.

6. Que voto um cidadão (mulher ou homem) podia fazer para dedicar um tempo específico para o Senhor? Nm 6:1-21. Que lições espirituais podemos tirar desse fato para nós hoje, no sentido de aprofundar nossa espiritualidade e compromisso com o Senhor?

Nazireu era uma pessoa “consagrada” que se dedicava ao Senhor por tempo determinado. Um pai podia dedicar o filho para ser nazireu por toda a vida. Por exemplo, a mãe de Sansão dedicou o filho de acordo com a instrução de um anjo, com a intenção de que ele começasse a livrar Israel dos filisteus (Jz 13:2-5; 16:17). Da mesma forma, o anjo Gabriel instruiu Zacarias a criar João (Batista) como nazireu para ser o precursor do Messias (Lc 1:15). Ana também votou que Samuel seria nazireu vitalício (1Sm 1:10, 11).

Interessante, também, é o mandamento sobre a bebida. A parreira e seus produtos: suco, vinho e uvas, representavam para a mente antiga uma terra cultivada de fazendas e domicílios. Quando o nazireu não bebia do fruto da parreira, ele expressava concretamente sua convicção de que estava a caminho de uma terra melhor.


Quinta

Ano Bíblico: Mt 11–13

A bênção araônica

“O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz” (Nm 6:24-26).

Depois de ler cuidadosamente a bênção acima, responda às perguntas a seguir:

7. Como a natureza da Divindade é sugerida por estes versos? Mt 28:19

8. Como esta oração revela a total dependência de Israel em relação a Deus? Jo 15:5

9. Que significado existe no fato de que os próprios sacerdotes deveriam fazer essa oração em benefício do povo? Hb 7:25

Existem vários pontos interessantes nestes versos. Cada uma das linhas começa com o nome pessoal de Deus, o nome da aliança (Yahweh, Senhor). A congregação está no singular. Isto é, cada pessoa era mencionada como um indivíduo. Cada pessoa podia saber o que a bênção significava pessoalmente, individualmente. Isto é, não importava que Israel fosse uma comunidade, cada um podia ter sua relação pessoal com o Senhor.

Até aquele momento, Israel não possuía a Bíblia. As bênçãos do Senhor seriam vistas na libertação da escravidão, na travessia do Mar Vermelho e nas providências feitas para que tivessem comida e água. Seu poder mantenedor seria visto por Sua presença no santuário, cujo ritual – ofertas queimadas, incenso e o menorah – estariam ardendo continuamente, dia e noite.

Aqui está uma clara evidência de que a religião do Antigo Testamento era uma religião de graça (Gl 3:7-14; Hb 4:1, 2). A terceira linha assegura ao crente o sorriso e a paz de Deus (veja Mt 11:28-30).

Como você experimentou em sua própria vida as bênçãos mencionadas acima? Que coisas em sua vida tornam difícil ver essas coisas em sua experiência com Deus? Que mudanças, não importa quão dolorosas sejam, você precisa fazer?


Sexta

Ano Bíblico: Mt 14–16

Estudo adicional

“Consagre-se a Deus pela manhã; faça disso sua primeira atividade. Ore: ‘Toma-me, Senhor, para ser Teu inteiramente. Aos Teus pés deponho todos os meus planos. Usa-me hoje para Teu serviço. Permanece comigo, e permite que toda a minha obra seja feita em Ti.’ Essa é uma questão diária. Cada manhã, consagre-se a Deus para esse dia. Submeta-Lhe todos os seus planos, para saber se devem ser levados avante, ou não, de acordo com o que Sua providência indicar. Assim, dia após dia, você poderá entregar sua vida nas mãos de Deus e ela será moldada cada vez mais segundo a vida de Cristo” (Ellen G. White, Esperança Para Viver, p. 70).

“As circunstâncias podem separar amigos; as ondas desassossegadas do vasto mar podem rolar entre nós e eles. Mas nenhuma circunstância, distância alguma nos pode separar do Salvador. Estejamos onde estivermos, Ele Se acha ao nosso lado para sustentar, manter, proteger e animar. Maior que o amor de uma mãe por seu filho é o de Cristo por Seus remidos. É nosso privilégio descansar em Seu amor; dizer: ‘NEle confiarei; pois deu a vida por mim” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 72).

Perguntas para reflexão

Fale na classe sobre as situações em que você esteve errado, ou ofendeu outra pessoa, e como pode solucionar os problemas. Que lições você aprendeu dessas experiências? Como você lida com as situações em que parece que as ofensas são imperdoáveis?

Resumo: O Senhor queria que Seu povo fosse feliz e vivesse em paz. O bem-estar físico e espiritual é obtido pela obediência amorosa às Suas leis da vida, relações amoráveis com o cônjuge e com os vizinhos, e consagração diária da vontade ao Pai. Isso não significa que a vida seja sempre fácil neste mundo amaldiçoado pelo pecado, mas que pode ser muito melhorado se buscarmos andar em Seus caminhos.

Respostas Sugestivas:

Pergunta 1: Os leprosos, os que sofressem de hemorragias e os que houvessem tocado em algum cadáver.
Pergunta 2: O pecado é extremamente ofensivo a Deus, e não pode ser tolerado no arraial do povo entre os quais Deus habita.
Pergunta 3: Peca contra Deus, que é o Senhor de todos.
Pergunta 4: Confessar, fazer restituição acrescida da quinta parte.
Pergunta 5: Esse era um recurso visual para enfatizar a importância da fidelidade matrimonial e a Deus.
Pergunta 6: O voto de nazireu, em que a pessoa se consagrava inteiramente a Deus por um período.
Pergunta 7: Sugere-se as três pessoas da Trindade.
Pergunta 8: Era o Senhor que abençoava, guardava e trazia paz.
Pergunta 9: O sacerdote era o mediador entre Deus e os homens. Nessa função, ele estava representando Deus.

domingo, 4 de outubro de 2009

Lições da Parábola do Bom Samaritano

http://farm4.static.flickr.com/3285/2733602369_b9da640d0d.jpg

A parábola do Bom Samaritano está em Lucas 10: 25 a 37. Abra a sua Bíblia e leia.

Quero lembrar que para estudar uma parábola, temos que considerar: o público alvo, que neste caso está descrito no verso 25 (o intérprete da lei); o contexto histórico, descrito nos versos 25 a 28; e que a verdade essencial pregada por Jesus é uma só, na parábola. Este texto visa compreender o tema central da parábola proferida pelo Mestre.

Durante o ministério terrestre de Jesus, os fariseus, líderes religiosos dos judeus, viviam procurando motivos pelos quais acusar e condenar o Salvador. Acusavam Jesus de desconsiderar a importância de observar a lei de Deus. Eles eram extremamente legalistas e esse legalismo os cegava contra o amor e os enchia de preconceito e exclusivismo.

“Passavam a vida numa série de cerimônias para se purificarem. O contato com a multidão ignorante e descuidada, ensinavam eles, ocasionava contaminação. E remover esta exigiria esforço enfadonho. Deveriam considerar os ‘imundos’ seu próximo?” O Desejado de Todas as Nações, p. 351

E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? Lucas 10:25 a 29

Observe que essa pergunta, “quem é o meu próximo”, foi feita como uma justificativa. É como se o homem dissesse: ‘, e eu já não tenho feito isso, amar o meu próximo? Ou você quer me dizer que eu deva considerar que outras pessoas, além dos judeus, sejam meus próximos?’ Entre os judeus, essa questão suscitava disputas intermináveis. Eles não tinham dúvidas de que os gentios (não judeus) e os samaritanos NÃO ERAM seus próximos. Gentios e samaritanos eram estrangeiros, eram não judeus, inimigos, portanto.

Para responder à pergunta, Jesus contou a bela parábola do bom samaritano. Na verdade, o livro O Desejado de Todas as Nações dá a entender que a história era verídica e de fato havia acontecido algum tempo atrás, envolvendo pessoas que ali estavam presentes [e eu acredito nisso], mas Jesus preferiu contar como uma parábola.

Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Lucas 10: 30 a 32

O viajante, provavelmente um judeu, fazia a viagem de Jerusalém para Jericó. Veja o mapa abaixo:

Procure as cidades de Jerusalém e de Jericó. Jericó ficava a 30 km de Jerusalém, mas você pode observar no mapa que Jerusalém ficava no planalto e Jericó ficava abaixo do nível do mar. Jerusalém ficava 800 metros acima do nível do mar e Jericó, 400 metros abaixo do nível do mar. Eram 1200 metros de descida, portanto, para um viajante que saía de Jerusalém e se dirigia a Jericó. Imagine um percurso de 30 km, a pé ou em um jumento, talvez, numa descida de 1200 m. Esse era o trajeto feito pelo homem. Aquela era uma estrada muito acidentada, cheia de despenhadeiros, curvas, passagens estreitas. Isso facilitava o ataque de bandidos, o que tornava a estrada muito perigosa e todos os que passavam por lá sabiam disso. Imagino que a maioria das pessoas somente se atreviam a fazer uma viagem assim se estivessem em grupo, por segurança. Se aquele homem estava viajando sozinho, possivelmente tinha extrema necessidade de fazer isso. Indefeso, foi assaltado por um bando de salteadores.

O relato diz que o homem ficou semimorto. Caído no chão, desacordado, sangrando, devia estar sem roupas também, pois os assaltantes devem ter aproveitado para levar todos os seus pertences, inclusive as roupas. Era como uma pessoa morta, portanto. Aparentava estar morto.

Continuando, o relato da parábola de Jesus diz que dois homens passaram no local: primeiro um sacerdote e depois um levita. Ambos passaram “de largo”, passaram longe, evitaram até mesmo passar por perto do homem caído, como morto, no chão. Por que aqueles homens não socorreram o pobre sofredor? Eles eram líderes religiosos, deveriam ter compaixão pelas pessoas e observar as leis de Deus. Eram tão legalistas! Por que deixaram de prestar socorro a um ser humano naquelas condições, desfalecido?

Você ficaria muito admirado se eu afirmasse que eles estavam observando a lei? É absurdo? Observe as passagens bíblicas abaixo:

Números 19:11: Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias.

Levítico 21: 1 a 4: Depois disse o SENHOR a Moisés: Fala aos sacerdotes, filhos de Arão, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre o seu povo, salvo por seu parente mais chegado: por sua mãe, e por seu pai, e por seu filho, e por sua filha, e por seu irmão. E por sua irmã virgem, chegada a ele, que ainda não teve marido; por ela também se contaminará. Ele sendo principal entre o seu povo, não se contaminará, pois que se profanaria.

Não foi à toa que Jesus incluiu um sacerdote e um levita na história. Sempre que Jesus contava parábolas, o seu objetivo era ensinar uma lição importante às pessoas que o ouviam. Por isso eu sempre uso, no título, a expressão ‘lições da parábola tal’. Todas as parábolas de Jesus contêm lições de grande valor e de muita sabedoria. Os líderes religiosos, naquele tempo, estavam tão ligados à observância da lei formal, escrita, registrada, que deixavam de prestar atenção ao espírito de amor pregado por Deus, o Deus que escreveu a lei. Veja o que diz Miquéias 6: 8: Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a e andes humildemente com o teu Deus?

Jesus chamou a atenção para o que realmente é o objetivo da lei de Deus. As leis cerimoniais eram boas e foram estabelecidas por Deus. Ocorre que acima do cerimonialismo está o amor, como tudo em Deus, como está declarado em I Coríntios 13. Veja como ele continuou a parábola.

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; e, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.

Lucas 10: 33 a 35

O samaritano atou as feridas do homem (na Nova Versão Internacional, enfaixou-lhe as feridas); aplicou vinho e óleo (remédio); colocou-o sobre o seu próprio animal; levou-o para a hospedaria; tratou dele; pagou ao hospedeiro; recomendou aos seus cuidados o homem; garantiu o pagamento de todas as despesas.

Os judeus não aceitavam os samaritanos como servos de Deus. Observe novamente o mapa acima. Veja a cidade de Samaria, mais ao norte de Jerusalém. Jerusalém era a capital de Judá (ou Judéia) e Samaria era a capital de Israel (reino do norte). No passado, os dois países tinham sido uma só nação, mas foi dividida. Os samaritanos foram chamados para servir ao Senhor (veja II Reis 17: 24 a 41), mas preferiram mesclar com o paganismo: “De maneira que temiam o Senhor e, ao mesmo tempo, serviam aos seus próprios deuses, segundo o costume das nações dentre as quais tinham sido transportados”. II Reis 17:33

Os judeus não consideravam os samaritanos como iguais. Os samaritanos, de fato, não estavam corretos no seu proceder, mesclando a adoração a Deus com a adoração aos deuses pagãos. Mas isso os tornava indignos de atos de misericórdia? Claro que não! Essa era a lição que Jesus estava tentando transmitir aos fariseus ali presentes – os sacerdotes e levitas.

No livro Parábolas de Jesus, Ellen White escreveu: “Tanto o sacerdote como o levita professavam piedade, mas o samaritano mostrou que era verdadeiramente convertido”. A tarefa de salvar o homem que havia sido assaltado e ficara como morto, no caminho, era difícil, mas o samaritano foi o único que aceitou realizá-la.

Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Lucas 10: 36 e 37.

Qual dos três era o próximo daquele homem sofredor? O sacerdote? O levita? O samaritano? Qual foi a resposta do intérprete da lei? O que usou de misericórdia para com ele. No livro O Desejado de Todas as Nações, a autora comenta que o doutor da lei não quis pronunciar o nome samaritano para fazer tal elogio. Jesus percebeu isso.

Quantas vezes nós, cristãos do século XXI, temos agido como o intérprete da lei, evitando reconhecer as virtudes daqueles que não consideramos como irmãos? Quantas vezes temos agido como o sacerdote, como o levita, agairrados a formalismos, a tradicionalismos, ignorando a lei do amor, de Deus? Nós somos iguais a eles quando colocamos o EU em primeiro lugar. Quando as tradições, as normas de igreja só interessam para satisfazer o ego. Quando as normas de cerimonialismo são mais importantes que a grande lei do amor de Deus. Quando não reconhecemos que todos os seres humanos, filhos de Deus, são o nosso próximo (o homem, a mulher, a criança, o idoso, o jovem, o magro, o gordo, o alto, o baixo, o bonito, o feio, o rico, o pobre...).

O meu próximo não tem que ser alguém igual a mim: da mesma religião, do mesmo grupo de amigos, da mesma cidade, da mesma nacionalidade etc. O meu próximo é toda e qualquer pessoa neste mundo.

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mateus 28: 19 e 20. Esta é a grande comissão evangélica. Somos todos chamados a convidar todas as pessoas, todas mesmo, a conhecer o amor de Deus e o dom da Salvação em Cristo Jesus. No verso 37 de Lucas 10, encerrando a lição, Jesus faz o chamado, que se dirige igualmente a nós: Vai, e faze da mesma maneira. Devemos proceder como o Bom Samaritano, mostrar amor para com os necessitados. Assim, testemunharemos a observância aos mandamentos de Deus.

As pessoas envolvidas na parábola do Bom Samaritano foram: o homem assaltado, os salteadores, o sacerdote, o levita, o samaritano, o hospedeiro. Qual dessas queremos imitar? Qual dessas pessoas nós queremos ser?

O Bom Samaritano das nossas vidas é Cristo. Ele nos encontrou como mortos, caídos pela ação do pecado, porque fomos atacados por Satanás (os salteadores), mas ele nos cuida, nos salva e nos tira da condição de semimortos e garante o pagamento, com o seu sangue na cruz, conduzindo-nos ao Pai (o hospedeiro), dizendo: receba esta pessoa, aceite-a bem, pois eu garanto o pagamento de todas as despesas, eu pago o preço para que ela seja curada e transformada.

Deus abençoe a todos.


Sugestão:

Leia o capítulo intitulado “O Bom Samaritano”, no livro O Desejado de Todas as Nações,

e o capítulo intitulado “A Verdadeira Riqueza”, no livro Parábolas de Jesus.

http://examinaisasescrituras.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

PASTORES OU LOBOS?

Gustavo Rocha, ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, em entrevista à revista Época, declarou como desempenhava suas funções “ministeriais”, a partir de quando recebeu uma igreja para cuidar:

Fiquei tranquilo [diante do encargo] porque eu já tinha aprendido o trabalho. Ele [o Bispo Macedo] me ensinou o seguinte: como era uma igreja pequena, primeiro eu tinha de fazer um atendimento corpo a corpo, conversar com cada um dos membros da igreja, visitar a casa, participar da vida. Eu levantava toda a vida da pessoa e determinava o dízimo. E eu ia colocando na cabeça das pessoas. Elas chegavam para contar alguma coisa: “Pastor, fui viajar e bati meu carro.” Eu dizia: “senhora está sendo fiel no dízimo?”. Ela dizia que não. Então eu falava que era por isso que ela tinha batido o carro. Óbvio que não tinha nada a ver, mas era uma questão de mexer com o psicológico, para que ela pensasse que as coisas ruins aconteciam por causa de um erro dela, e não por um erro da igreja ou um erro de Deus. Eu tinha de fazer aquela pessoa acreditar que o dízimo dela era uma coisa sagrada. Noventa por cento das pessoas que vão à igreja, e isso eu ouvi do bispo Macedo, não vão para adorar a Deus. Vão para pedir, porque têm problemas no casamento, nas finanças, de saúde. Então o bispo falava: “Você chega para a pessoa e diz: Você está com problema financeiro, não está? Eu sei, eu estou vendo que sua vida financeira não está boa”. É muito fácil. Por serem pessoas humildes, elas estão mais propensas a certos problemas[1].
Não custa relembrar destas imagens comprometedoras:




[1] Mariana Sanches, Aprendi a extorquir o povo, depoimento de Gustavo Rocha, Época, 21 de Setembro de 2009, p. 43.